Bom dia amigos,
Como alguns sabem, eu estava com minha prima aqui em casa há 2 meses e infelizmente acabou-se o que era doce e chegou o dia dela ir embora. Já tem quase uma semana e eu não me acostumei com a sua ausência ainda. Mas o motivo do post não é só falar da ida da prima, mas uma constatação que fiz a partir disso.
Então, eu já percebia um pouco isso mas agora confirmei: meus filhos são, como posso explicar isso em palavras? Posso dizer desapegados, talvez. Não que não se apeguem, mas se apegam com a mesma facilidade com que se desapegam. Fiquei pensando com meus botões se essa seria uma característica da nova geração ou se seriam mesmo deles, que foram habituados com despedidas.
E também nesses meus pensamentos que vão longe, ao mesmo tempo em que acho muito estranho, acho também bom, menos sofrido para eles, que moram longe e mesmo sem querer, têm que lidar com isso. Eu, ao contrário, sou apegada aos meus parentes e muito emotiva sofro mesmo. A sorte é que sou bastante equilibrada e racional ao mesmo tempo e logo volto à razão, lembro porque estou aqui e me convenço de que é uma oportunidade única que estamos vivendo e o destino pertence a Deus e aí fico feliz de novo. Rsrs Porque é verdade gente, muita gente não entende como e também se incomoda com isso, mas eu sou essencialmente feliz. Prefiro catar as coisas boas e vivê-las do que gastar meu precioso tempo remoendo um problema. Acho que se for genético, transmiti isso para as crianças e se for comportamental, aí sim terei a certeza que se não ensinei ainda, ensinarei.
Bom, como alguns sabem, o trio nasceu na Bahia e desde bebezinhos, tiveram os avós paternos presentes uma vês por mês conosco, pois a mesma morava no Rio e vinha todo mês para nossa casa e passava 1 semana, 10 dias e em seguida, ia embora. A super tia que também era do Rio, veio e passou uma temporada de 8 meses pra dar um suporte e depois nos deixou mas deu continuidade às visitas vindo sempre com a avó.
Quando eles tinham 1 ano e 6 meses, nos mudamos para o Rio e aí, aqueles avós maternos que estavam sempre tão pertinho, se afastaram. O avô ia sempre para o Rio e quase de 2 em 2 meses estava lá. A avó materna, que trabalhava, só ia 2 vezes ao ano. E era assim com as tias, primos, bisavô, padrinhos...
Estávamos sempre recebendo visitas de fora, que vinham só por eles e devo reconhecer e agradecer todo o esforço que faziam! No segundo aniversário deles no Rio de Janeiro, recebi 19 baianos na minha casa e mais um padrinho e sua esposa vindos do Recife, que ficaram em hotel. Nossa rotina era bem assim, só pra ilustrar o tema.
A primeira grande despedida que eu temia que fosse dramática para eles foi a das minhas ajudantes, que viram eles nascer, cuidaram deles comigo, foram para o Rio comigo até que eu conseguisse colocar a casa em ordem e aí, acabaram morando na minha casa e junto com eles 4 meses e eles eram apaixonados por elas. Pois bem, eles iam fazer 2 anos quando elas finalmente voltaram para Salvador. Nós adultos choramos horrores, eu e a Ana, que era bem mais apegada a eles e até o pai sentiu a despedida. Eles olhavam o chororô como se nada entendessem e no dia seguinte perguntaram onde estavam elas e eu disse que voltaram pra casa e eles concordaram com um tá bom, simples assim.
Depois disso outras tantas despedidas vieram e a reação deles era sempre a mesma. Com 1 ano e 10 meses entraram pela primeira vez na creche. Lá ficaram por 1 ano e meio e aos 3 anos e meio mudei eles de escola. Fiquei com receio de estranharem o ambiente, os colegas e os professores, mas foram tão bem recebidos na escola nova que mais uma vez, não sofreram.
Daí aos 5 anos, fizeram parte de uma separação para um lugar mais distante e eu já falei aqui como tudo aconteceu e que se adaptaram bem como sempre, se eu falar de novo aqui, deixará de ser despedidas. Rsrs E mesmo aqui, longe, começamos a nossa rotina de visitas. Em apenas 6 meses já recebemos os avós paternos, a tia Di, o avô materno e uma prima da mamãe. Ou seja, eles não tem noção da distância, do custo e do sacrifício, pra eles as pessoas continuam vindo e indo. E aí, finalmente veio a tal da despedida que me fez refletir e gerar esse post. A prima se foi. Mais uma entre tantas despedidas que tiveram e que terão. Eles encaram assim... Que bom né?
E dentro em breve os avós paternos e a tia Di já estão de volta, em seguida virá a vovó materna e seu marido e em seguida, iremos nós ao Brasil visitar todos e ainda aqueles que não conseguiram vir nos ver. Assim não estão deixando nem eles sentirem saudade né?
Já que essa foi a vida que eu e meu marido escolhemos para a gente e são o que as crianças têm pra hoje, que ela seja vivida em sua plenitude com o mínimo de sacrifício por parte deles. E assim seguimos vivendo, de leve, de boa e amadurecendo para os próximos desafios!