
É inexplicável, mas eles simplesmente não podem sequer me ver que páram tudo que faziam, correm até mim e abrem o berreiro para eu pegá-los. É gostoso se sentir tão amada, mas às vezes dá um aperto no coração não conseguir dar conta de todos ao mesmo tempo. Quando eu tenho que fazer almoço, pretendo arrumar alguma coisa, enfim, não estou totalmente à disposição deles, evito aparecer perto do quartinho de brinquedo. Se chego da rua, entro pelos fundos, passo correndo, faço o que tenho que fazer, até mesmo quando quero descansar e depois, desço para ficar com eles.
As vezes eu tô na sala, perto do quartinho da bagunça e fico escutando eles gargalhando, gritando, conversando, espio de longe vejo brinquedos espalhados por tudo, os três interagindo, brincando com Rosângela e Ana (as ajudantes), mas se vêem meu vulto, páram tudo, vem para a grade da porta e ficam chorando. Até brinquei com Roberto que pareciam uns detentos e eu morro de pena. Por isso dou uma volta e evito passar perto do local a não ser que seja para ficar.
Mas mesmo quando eu chego pra ficar, seja de dia para que as meninas possam fazer outras coisas ou seja de noite, que elas estão indo embora e eu assumo o posto de vez, não é tão tranquilo. É colocar o pé dentro do quarto e os três vêm em minha direção e ficam no meu pé pedindo para eu pegar. Aí eu sento, mas fica um passando por cima do outro para ficar no meu colo. Eu evito pegar um só porque senão os outros choram e não é justo. Aí eu dou um beijo em cada um, coloco sentadinho ao meu lado (fazendo uma roda) e começo a brincar. As vezes dá certo. As vezes não. Aí eu engatinho, danço, canto (kkk) e, de vez em quando, quando percebo que dois estão brincando, pego o terceiro mais dengoso do momento. Mas eu que faça qualquer movimento de que vou levantar que eles não contam conversa: abrem o berreiro.