segunda-feira, 6 de julho de 2015

Despedidas

Bom dia amigos,
 
Como alguns sabem, eu estava com minha prima aqui em casa há 2 meses e infelizmente acabou-se o que era doce e chegou o dia dela ir embora. Já tem quase uma semana e eu não me acostumei com a sua ausência ainda. Mas o motivo do post não é só falar da ida da prima, mas uma constatação que fiz a partir disso.
 
Então, eu já percebia um pouco isso mas agora confirmei: meus filhos são, como posso explicar isso em palavras? Posso dizer desapegados, talvez. Não que não se apeguem, mas se apegam com a mesma facilidade com que se desapegam. Fiquei pensando com meus botões se essa seria uma característica da nova geração ou se seriam mesmo deles, que foram habituados com despedidas.
 
E também nesses meus pensamentos que vão longe, ao mesmo tempo em que acho muito estranho, acho também bom, menos sofrido para eles, que moram longe e mesmo sem querer, têm que lidar com isso. Eu, ao contrário, sou apegada aos meus parentes e muito emotiva sofro mesmo. A sorte é que sou bastante equilibrada e racional ao mesmo tempo e logo volto à razão, lembro porque estou aqui e me convenço de que é uma oportunidade única que estamos vivendo e o destino pertence a Deus e aí fico feliz de novo. Rsrs Porque é verdade gente, muita gente não entende como e também se incomoda com isso, mas eu sou essencialmente feliz. Prefiro catar as coisas boas e vivê-las do que gastar meu precioso tempo remoendo um problema. Acho que se for genético, transmiti isso para as crianças e se for comportamental, aí sim terei a certeza que se não ensinei ainda, ensinarei.
 
Bom, como alguns sabem, o trio nasceu na Bahia e desde bebezinhos, tiveram os avós paternos presentes uma vês por mês conosco, pois a mesma morava no Rio e vinha todo mês para nossa casa e passava 1 semana, 10 dias e em seguida, ia embora. A super tia que também era do Rio, veio e passou uma temporada de 8 meses pra dar um suporte e depois nos deixou mas deu continuidade às visitas vindo sempre com a avó.
 
Quando eles tinham 1 ano e 6 meses, nos mudamos para o Rio e aí, aqueles avós maternos que estavam sempre tão pertinho, se afastaram. O avô ia sempre para o Rio e quase de 2 em 2 meses estava lá. A avó materna, que trabalhava, só ia 2 vezes ao ano. E era assim com as tias, primos, bisavô, padrinhos...
 
Estávamos sempre recebendo visitas de fora, que vinham só por eles e devo reconhecer e agradecer todo o esforço que faziam! No segundo aniversário deles no Rio de Janeiro, recebi 19 baianos na minha casa e mais um padrinho e sua esposa vindos do Recife, que ficaram em hotel. Nossa rotina era bem assim, só pra ilustrar o tema.
 
A primeira grande despedida que eu temia que fosse dramática para eles foi a das minhas ajudantes, que viram eles nascer, cuidaram deles comigo, foram para o Rio comigo até que eu conseguisse colocar a casa em ordem e aí, acabaram morando na minha casa e junto com eles 4 meses e eles eram apaixonados por elas. Pois bem, eles iam fazer 2 anos quando elas finalmente voltaram para Salvador. Nós adultos choramos horrores, eu e a Ana, que era bem mais apegada a eles e até o pai sentiu a despedida. Eles olhavam o chororô como se nada entendessem e no dia seguinte perguntaram onde estavam elas e eu disse que voltaram pra casa e eles concordaram com um tá bom, simples assim.
 
Depois disso outras tantas despedidas vieram e a reação deles era sempre a mesma. Com 1 ano e 10 meses entraram pela primeira vez na creche. Lá ficaram por 1 ano e meio e aos 3 anos e meio mudei eles de escola. Fiquei com receio de estranharem o ambiente, os colegas e os professores, mas foram tão bem recebidos na escola nova que mais uma vez, não sofreram.
 
Daí aos 5 anos, fizeram parte de uma separação para um lugar mais distante e eu já falei aqui como tudo aconteceu e que se adaptaram bem como sempre, se eu falar de novo aqui, deixará de ser despedidas. Rsrs E mesmo aqui, longe, começamos a nossa rotina de visitas. Em apenas 6 meses já recebemos os avós paternos, a tia Di, o avô materno e uma prima da mamãe. Ou seja, eles não tem noção da distância, do custo e do sacrifício, pra eles as pessoas continuam vindo e indo. E aí, finalmente veio a tal da despedida que me fez refletir e gerar esse post. A prima se foi. Mais uma entre tantas despedidas que tiveram e que terão. Eles encaram assim... Que bom né?
 
E dentro em breve os avós paternos e a tia Di já estão de volta, em seguida virá a vovó materna e seu marido e em seguida, iremos nós ao Brasil visitar todos e ainda aqueles que não conseguiram vir nos ver. Assim não estão deixando nem eles sentirem saudade né?
 
Já que essa foi a vida que eu e meu marido escolhemos para a gente e são o que as crianças têm pra hoje, que ela seja vivida em sua plenitude com o mínimo de sacrifício por parte deles. E assim seguimos vivendo, de leve, de boa e amadurecendo para  os próximos desafios!

2 comentários:

Nanda Scandura disse...

Não é questão de insensibilidade ou uma característica da nova geração. Acredito ser mesmo um costume. Eles já acostumaram desde pequenos com o contato por Skype. Com as viagens. Com as visitas frequentes. E de fato acredito não terem noção alguma da distância que se encontram atualmente. Não apenas por ser comum nesta idade não ter noção de países e tal... Mas pelo fato de estar tudo na mesma! Pra quem acabou de mudar de país, vocês já receberam tanta visita que nem parecem estar longe. Parece que ainda estão no Rio. A diferença é que não tem os fds na casa da avó Marly. Mas é isso mesmo. É a vida e as crianças estão muito bem com tudo isso e de fato são as maiores beneficiadas com todo esse sacrifício de despedidas. Acho que quem enxerga as despedidas somos nós. Eles continuam vendo as visitas comuns que sempre tiveram.

Érika Scandura disse...

Graças a deus estão acostumados e vocês estão recebendo visitas. Eu confesso que morro de saudades mas já me acostumei com essa saudade tb, aguardo ansiosa vocês aqui! Beijos mana